sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Sei que não é a hora
Sei que não é a hora de nós, homens, talvez com boas intenções, talvez por culpa, insistirmos em assumir o protagonismo na emissão de opiniões sobre um assunto que, essencialmente, diz respeito às mulheres.
Tenho acompanhado à distância a discussão no Brasil, e tenho consciência de que é a voz das mulheres que deve ser ouvida daqui em diante, e não apenas no calor da discussão.
O que tentarei fazer aqui é um relato, mas como a neutralidade não existe, estarão embutidas nas minhas palavras minha condição de homem e algumas críticas que arduamente tento elaborar a partir dessa minha condição.
Estou em Moçambique, no continente africano, há cerca de 50 dias, e já vivi aqui por praticamente um ano e meio anteriormente.
Se tem uma coisa que me dói é estar no papel de criticar a realidade do país e do continente que transformaram radicalmente minha forma de encarar a vida nos últimos 7 anos, mas acho que dadas as condições ela é necessária.
Hoje é sexta-feira, tradicionalmente conhecido aqui como o Dia do Homem.
A sexta-feira é o dia em que o homem está autorizado a sair pra se divertir sem ter hora para voltar, deixando sua mulher em casa (imagina-se) sozinha ou com os filhos.
O fato do chamado Dia do Homem ser uma data semanal, enquanto o Dia da Mulher Moçambicana é comemorado apenas uma vez por ano (ainda que seja feriado nacional), já é sintomático quanto ao tipo de relação que tentarei mostrar aqui.
É verdade que existe um discurso de empoderamento da mulher moçambicana, primeiramente devido ao passado socialista e suas ambições de uma maior igualdade em todos os aspectos, e atualmente como agenda política e pauta de organizações internacionais sobre a questão de gênero.
Mas, pelo que sinto, é apenas um discurso.
Sim, existem mais mulheres na política, existem mais mulheres nas empresas e existem mais mulheres na mídia, mas numa quantidade consideravelmente menor do que os homens.
Para se ter uma idéia, durante o trabalho de campo que estou desenvolvendo aqui, pude realizar 9 entrevistas até o momento, e apenas uma delas foi com uma mulher.
Isso não significa, porém, que elas não trabalham - muito pelo contrário.
São elas que dominam os mercados populares da cidade e o mercado informal das ruas, sem falar nas inúmeras empregadas domésticas, devidamente uniformizadas, que tomam conta das casas dos mais abastados de Maputo.
Obviamente que, além de trabalhar fora, elas também fazem todo o serviço doméstico em suas casas (todo, sem exceção), como cozinhar, lavar roupa, fazer faxina e cuidar dos filhos.
Em 2008/09, na minha condição de branco-estrangeiro, trabalhava na minha casa uma dessas mulheres, a Gertrudes, e no melhor estilo “Que horas ela volta?” criamos uma amizade que fez com que eu fosse por algumas vezes almoçar na casa dela com sua família na periferia de Maputo.
Durante esses almoços, ficou muito clara a relação doméstica entre homens e mulheres: enquanto os homens ficavam bebendo cerveja e conversando, as mulheres se desdobravam para fazer com que tudo funcionasse perfeitamente: rachando lenha, pilando milho, cozinhando e lavando a louça.
A recompensa?
Na hora da refeição, os homens eram os primeiros a se servir, e tinham o direito de sentar à mesa, ao passo que as mulheres comiam depois, sentadas em uma esteira no chão.
Outro assunto digno de menção é a questão do assédio em Moçambique.
Em resumo, não existe o menor constrangimento (o menor mesmo!) para um homem em abordar uma mulher na rua na tentativa de angariar pelo menos um contato de telefone.
Tenho visto algumas mulheres responderem à altura, mas no geral o silêncio impera, um silêncio, aí sim, constrangido e impaciente.
A questão é que o assédio é completamente corriqueiro aqui em Maputo, encarado com uma naturalidade que intriga quem está mais antenado na discussão feminista brasileira.
O que eu quero dizer com isso tudo é que, aquele discurso de que o homem e a mulher naturalmente cumprem papéis diferentes na sociedade, é o discurso dominante aqui.
Quem me conhece sabe que nutro, desde que vim pra cá pela primeira vez, certa idolatria pelo músico nigeriano Fela Kuti, considerado um dos artistas mais contestadores da cultura africana.
Pois após dois documentários vistos, uma coletânea de artigos e uma biografia lidas sobre ele, me deparei com uma pessoa incrivelmente contraditória, que conseguiu ser tão radical politicamente quanto conservador em relação às mulheres.
Em uma de suas músicas mais famosas, “Lady”, ele basicamente zomba das mulheres que, sob influência do Ocidente (segundo ele), começaram a pensar que podiam ser iguais aos homens.
Na sua busca pela essência de uma cultura africana, casou-se ao mesmo tempo com 27 mulheres, alegando que o homem precisa estar rodeado de mulheres que o protejam, pois esse é o papel delas na sociedade, naturalizando assim a poligamia.
Aproveito o gancho para acabar o texto com uma indicação literária.
É um livro de uma autora moçambicana, Paulina Chiziane, chamado “Niketche: uma história de poligamia”, e pelo que entendi ele não só trata da poligamia de uma maneira diferente como é uma espécie de manifesto feminista de Moçambique.
Tenho em casa, e infelizmente ainda não li, mas imagino que seja facilmente encontrado no Brasil, podendo ser um alento para quem se incomodou com o que escrevi até aqui.
Confesso ter sido muito difícil escrever esse texto, tanto por minha condição na sociedade como pelo carinho por todo o universo africano-moçambicano que me foi aberto há alguns anos.
Mas penso ter sido necessário.
Só assim poderei expelir, pouco que seja, o machismo que vive em mim.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
O tempo passa, mas o all star continua o mesmo
Todos os dias ela acordava. Sem perspectiva de vida. Fazendo tudo automaticamente. Com exceção do amor. Esse continuava sempre latente. Acordar, abrir os olhos, ganhar um beijo de bom dia. Isso fazia com que ela não desistisse. Continuou caminhando. Reclamando. Sempre reclamou muito. Reclamava o tempo todo, sem perceber. A esperança de não deixar um mundo ruim para seus filhos a fazia caminhar em busca de algo melhor. Não era uma vida ruim, mas a angústia e a enxaqueca batia forte todos os dias. "Podia ser pior", ela pensava. Mas nem por isso se conformou. Bateu de porta em porta buscando algo que a contemplasse. "Gostaria mesmo de não fazer da minha existência, algo despercebido", dizia para si mesma. De repente recebeu um e-mail, uma proposta, algo que ela queria muito e nem mesmo sabia. Foi. De cabeça erguida ela foi. Tinha aproximadamente 10 pessoas querendo o mesmo que ela. Desanimou. Mas não abaixou a cabeça, apesar da insegurança. Continuou. Sorriu. Quase chorou as vezes. Mas foi. A cada ligação de aprovação, ela sofria. Sofria por imaginar que podia não conseguir. Não dormia. Pensava o quanto tudo podia mudar se houvesse um "sim". Que além de mudar sua vida, ajudaria outras pessoas. Que tudo seria reciprocidade. Que o que sempre acreditou poderia acontecer. Mas para isso ela só precisava de um "sim". O "sim" veio na terceira tentativa. Aquela que seria mais provável ser um "não", virou um "sim". Um dos "sim" mais feliz que já ouviu, pelo telefone, vindo de um sotaque simpático. E então, tudo mudou. A esperança floresceu. A vida começou a seguir mais feliz. Acordando todos os dias sem se importar de pegar ônibus lotado. Sabendo que todo esforço não seria mais em vão. Que vai poder falar para seus filhos que fez algo de bom no mundo e que fizeram muito por ela. A enxaqueca não vem mais com tanta frequência. Hoje ela finalmente pode dizer que gosta do que faz, apesar de várias tentativas, finalmente hoje ela pode afirmar "Gosto do que faço. Acordo feliz por saber que vou continuar fazendo o que gosto". Pode ser sorte, pode ser merecimento. Não importa mais. O importante é saber que a cada dia de sua vida não será em vão. E hoje ela continua caminhando com seu all star laranja, velho, sujo, fedido. Caminha feliz por manter a esperança viva. O tempo passou. Passou bastante. Mas agora ela reclama bem menos. Reclama uma vez aqui ou ali por coisinhas bobas. A vida segue. Mas dessa vez segue feliz!
domingo, 7 de dezembro de 2014
São Paulo me engoliu
São Paulo é a cidade engolidora de pessoas. Não sei se todas se sentem assim, mas eu fui mais que engolida, eu estou sendo digerida por ela e sabe-se lá qual dia ela irá me excretar. Além disso, ainda estou digerindo São Paulo. Nesse mês fiz 2 anos consecutivos habitando na selva de pedras. Nada mal pra quem achava que eu não duraria 2 semanas aqui. Muitos dos meus planos eu ainda não consegui dar andamento. Sempre fico com aquela impressão de que não fiz nada da vida e culpo a cidade por isso. É mais fácil culpar a cidade do que me culpar. Aqui o relógio anda em outra frequência. Além de a música tocar em ritmo acelerado, a dança é frenética. Os segundos são preciosos. Tudo é milimetricamente calculado. Os passos, a respiração, o sabor. Tudo! Se eu tomar um gole a mais de água, talvez perca o único ônibus que vai para o meu destino, então o jeito é beber água no caminho. Não só água, mas comer, dormir e até mesmo vomitar. Não é agradável compartilhar isso em um blog, mas dias atrás passei por uma experiência nada agradável. Por estar inserida e consumida pela aceleração constante em que a cidade me posicionou, tive que dobrar minha hora de trabalho. Ao invés de sair às 17h30 como de costume, precisei sair às 21h30. Psicologicamente abalada com a situação e com a estrutura corporal desarranjada devido ao tempo a mais de trabalho, não conseguia comer e aquilo que já havia ingerido estava revirando dentro de mim pedindo socorro. Preocupada, avisei meu namorado que eu estava mal e o mesmo tomou o ônibus e foi me buscar imediatamente. Saindo do trabalho, eu não aguentaria nem mesmo chegar ao ponto de ônibus. Com o auxílio dele, consegui me arrastar ao ponto de ônibus mais próximo e por sorte passou a condução que nos deixaria bem próximos de casa. O motorista do ônibus, por sua vez, já deveria ter trabalhado todas as suas horas e aquela corrida seria a última do dia, correu tudo que podia para acabar seu expediente e enfim poder descansar. A pressa do motorista juntamente ao meu mal estar causou um estrago sem tamanho. Apenas três pontos antes de chegar a minha casa, vomitei. Mas não foi um simples vomito, vomitei tudo o que eu não tinha no estômago e mais todo meu cansaço. Vomitei a pressa, o estresse, a raiva, as horas a mais de trabalho, enfim, tudo aquilo que eu queria dizer e não disse, fazer e não fiz. Ficou metade no ônibus e metade na calçada apenas 3 pontos antes de chegar ao meu destino. Foi um grande alívio. Passar mal me fez bem. E como eu queria ter vomitado antes naquele dia. Como o ritmo acelerado me fez mal. Essa cidade me engoliu, mas aos poucos eu a digiro ou então vomito e deixo tudo àquilo que me faz mal PRA FORA! Obrigada São Paulo :)
sábado, 19 de julho de 2014
Um ano inteirinho com você
De repente eu senti vontade de me mudar pra São Paulo.
Não tinha nada o que fazer aqui.
Mas foi dando tudo certo.
Arrumei emprego, casa.
Fiz amigos rapidamente.
Tudo foi encaminhando e eu fui ficando assustada com a velocidade com que as coisas aconteciam nesta cidade.
Em menos de um ano eu já estava no meu 3º emprego.
Mas faltava uma coisa.
Não sabia direito o que era.
Um sentimento vazio.
Um espaço a ser preenchido.
Uma amiga querida me contou sua história.
Me interessei logo de cara.
Quero conhecer essa pessoa, Ju. Me apresenta!
A Ju enrolou. Mas ela sabia o momento certo.
Ouvi sua voz pela primeira vez no telefone.
- Ele vai, disse a Ju. Finalmente vocês irão se conhecer.
Todos sabiam, menos você.
Naquele dia me preparei.
Coloquei um sobretudo vermelho, bota e até passei maquiagem.
Você chegou com a roupa de trabalho, a carinha cansada e portando uma marmita com chuchu.
Cumprimentou todos da mesa, menos eu.
Estava no cantinho em um lugar inacessível.
E a Ju disse: “essa é a Aline”. Você, tímido, respondeu: “eu sou o Antonio”.
Pronto, ali eu já vi que passaria o resto da minha vida com você.
Não soube me expressar muito.
Porém eu ganhei a dica: “faça piadinhas e entre na dele”.
E foi assim por uma semana.
Conversas, piadas, convites, propostas.
E de repente eu quase estraguei tudo.
Porque apesar da certeza, a insegurança batia forte.
Mas por uma chuva, um bar e uma pausa na prosa, tudo se desenrolou.
E hoje faz um ano que tudo aconteceu.
Que eu finalmente te encontrei.
Comecei a ver futebol. Todos! E até fiquei um pouco entendida da coisa.
Não precisei mais usar maquiagem.
Você tomou gosto por seriados americanos, daqueles que se passa o tempo.
E largou alguns vícios, os quais me incomodavam e te prejudicavam.
Nós fizemos planos.
Estão em andamento.
E permanecerão, pela eternidade.
Que nossos objetivos nunca terminem.
Que haja sabedoria para que caminhemos juntos na mesma sintonia.
Amo você sem medida. E é essa a melhor medida de amar.
Feliz um ano!
segunda-feira, 12 de maio de 2014
A eterna desculpa
A impressão que eu tenho é que estamos o tempo todo nos desculpando com a vida por não fazermos algo porque existe um impedimento. Não vou levantar agora porque ontem não dormi bem. Eu dormiria senão houvesse barulho. Estou cansada, então não vou cozinhar. Escrevo um texto no blog, mas eu gostaria de estar estudando, mas estou escrevendo um texto no blog. Corrigiria os erros gramaticais senão fosse a preguiça. Chen Te, a famosa alma boa de Setsuan - peça a qual sou muito fã - vive sua vida em função de aproveitadores e devido a eles ela justifica sua vida: "Como posso ser boa se tenho que pagar meu aluguel?". Eu traduziria para mim: "preciso estudar para o mestrado. Como estudar para o mestrado se estou cansada de trabalhar? Se não trabalhar, como pagar o aluguel? Se não pagar o aluguel, como morar em São Paulo?"... resumindo: não-estudar é o mesmo que um visto para pagar aluguel em São Paulo. Viu só? Essa é a minha desculpa. Não estudo porque pago aluguel e, para isso, devo trabalhar. Mas e o tempo em que estava desempregada, Aline? Ah, nesse tempo eu não estudava porque estava procurando emprego para ganhar dinheiro e pagar o aluguel. Neste momento eu poderia estar estudando, mas logo devo dormir para acordar cedo, trabalhar e conseguir dinheiro para pagar o aluguel. Bom, vou lá pagar meu aluguel e já volto. Desculpa!
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
De incertos somos todos
É engraçado. Todo dia realizamos atividades pré-selecionadas e estamos condicionados a pensar que nada de diferente acontece e, se acontece, geralmente tende para o lado negro da Força. O negativismo corre em nossas veias. Difícil aquele que consegue ser positivo o tempo todo. Fé cega e pé atrás. Parei para observar os últimos meses. Ociosidade tendo certa relevância em grande parte do tempo. Nada acontece, NADA! Minha injustiça com a vida só cresce. Mas, parando para analisar, muita coisa aconteceu, só não aconteceu o que eu mais esperava no momento, mas o que já esperei em outros tempos, aconteceu agora, nesses dias, e eu injusta nem percebi. Vida, perdoe-me, sou uma mera humana que ainda está na busca para um caminho melhor! Pode parecer discurso de um idealista, e é. Não é pretensão, nem querer ser melhor que os outros, mas buscar insistentemente melhorar. Difícil! Tarefa árdua pra quem convive com pessoas tão distintas. Creio que não é só minha vida que seja assim. Não posso agradar todos, tento agradar a maioria, mas acima de tudo, tenho que me agradar. A vida tem me mostrado que está me agradando por onde não enxergo. Mas as incertezas estão fazendo meus olhos se abrirem, lentamente. Quando pensei que nada tinha, muita coisa apareceu. Pessoas ressurgiram, sentimentos afloraram ainda mais, recebi ajuda de quem não imaginava. As coisas acontecem, o tempo passa e nós, em nossas atitudes mesquinhas, não percebemos. Claro, é mais fácil reclamar. Reclamar do outro é ainda mais fácil. Muitas vezes até prazeroso. Pode estar certo, pode estar errado, mas esse caminho eu não quero. Percebi que meu filtro para tolerância diminuiu em certa quantidade. Isso talvez seja ruim, ou não. O lado ruim é que minha paciência diminuiu e o lado bom é que não alimentarei um câncer. Os médicos mandam extravasar, o misticismo e espiritualidade aconselham a retensão de sentimentos negativos para transformá-los em positivos. Muito mais difícil, na minha opinião e mais difícil ainda medir qual escolher e em qual situação. Dizem por aí que o sentido da vida é ela não ter sentido. Discordo. Acredito que a vida tenha um sentido, pois caso contrário viver seria em vão. Sobreviver com indivíduos dificilmente "convevíveis" (neologismo by me) seria em vão, estudar seria em vão, trabalhar seria em vão e assim vai. Mas é esse sentido? Não sei o fim último, mas acredito que o meio e as reciprocidades têm uma grande importância nessa divagação "insônica" (mais um! logo terei que escrever com um dicionário). Olho para o céu e não vejo as estrelas todos os dias, mas sei que elas estão lá. Olho para minha vida e não observo os acontecimentos, mas sei que eles passam por mim e devo me ater, pois de vida superficial o mundo está cheio e eu não quero comprar mais essa.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
A covardia que se foi
A covardia que se foi,
a coragem que você me devolveu!
As chaves que perdi,
O carinho que você me remeteu.
Gosto quando me olha e quando sorri pra mim.
Quando tenho que andar uma estação a mais pra te encontrar.
De passar horas no aperto do transporte e não reclamar.
Gosto da sua preocupação,
de me ligar, querer me ver, sua atenção!
O jeito de se importar e entender que tudo vai melhorar.
Gosto do que me faz sentir,
De estar boba assim.
Gosto do jeito que pensa, como se expressa, como se desajeita.
Gosto da sua imaginação e dos seus planos.
Admiro sua história: seu presente, passado e (do nosso) futuro,
da maneira que leva a vida,
E de como que se tornou maduro.
Gosto de pensar que eu tinha que te encontrar,
que tudo que eu sempre quis não ficou só na imaginação.
Que caminharemos juntos assim,
sem muita preocupação.
Gosto de como nos tornamos essenciais um para o outro,
trilhando nossos destinos,
eu continuando a esquisita
e você meu bobo querido!
Espero que goste desses versos simples, sem métrica e cheio de rimas pobres.
Veio do coração de uma donzela destinado a um grande nobre :)
terça-feira, 14 de maio de 2013
Escolhas e bolhas
As escolhas que fazemos em nossas vidas muitas vezes nos surpreendem. Todos os dias temos que escolher: posso abrir meus olhos, levantar da cama ou posso continuar de olhos fechados e dormir mais um pouquinho. Bom, eu escolhi levantar da cama. Por que fazemos essas escolhas? Somos condicionados a sermos livres, já dizia Sartre. Nos esbarrando com as oportunidades o tempo todo, cabe a nós acatá-las ou não. Sair da zona de conforto, eis o lema que me perseguiu. Há 5 meses saí dessa zona. Não me arrependo, mas confesso sentir que elas são como bolhas. Uma escolha frágil que te deixa frágil e que se você não cuidar, ela estoura, se desmancha no ar. Não houve um dia em que eu passei sem refletir as minhas escolhas. E que escolhas que nós fazemos hein, ficar longe de quem a gente ama, na minha opinião é a que dói mais. A distância! Definitivamente dói demais falar disso. Estar longe de quem amamos é muito difícil, mesmo sendo mais perto do que imaginamos. É claro, basta um toque no celular ou uma chamada pelo facebook, estou ali falando com minha mãe ou meu pai. Mas e depois que a conversa acaba? E o vazio que fica? Mas paro e penso: eles estão vivos e isso basta! Passei algum tempo bem perto destas pessoas que amo mais que o impossível. Neste tempo eu vivia pensando: que vontade que sinto de sentir saudades. Agora que sinto saudades, penso: como eu não queria sentir essa saudade tão dolorida. É a tese, antítese e síntese da vida cotidiana: o querer e não querer. Talvez eu esteja fazendo drama demais com essa situação. Mas sou leonina cartesiana, vim pra esse mundo para torná-lo uma cena dramática onde sou a personagem principal. E na minha peça de teatro da vida, eu procuro transcender e pensar que se estou aqui agora é porque algo de melhor - que provavelmente vou escolher - vai acontecer. Não sei, mas nunca consegui pensar em acaso. Não é por acaso que existimos. Não é por acaso que a Terra gira em torno do Sol. Sejam essas teorias físicas ou espirituais, eu acredito que o acaso é um menino bobo com inveja do destino. Também não acredito muito em destino, ele só sente ciúmes do acaso e quer nos condicionar. Mas condicionados ou não, eu prefiro acreditar que nós temos escolhas. E a escolha é uma menina que anda de bicicleta pelas avenidas de São Paulo, rindo de todos aqueles que não a enxergam. Resolvi enxergar a minha escolha e quer saber? Ela é muito travessa e me faz chorar quase todas as manhãs. Se você encontrar a escolha passeando por aí, faça amizade com ela pra que ela não te pregue uma peça. Mas se a peça for de teatro, não seja coadjuvante, tome todas as rédeas e busque os sorrisos, por mais difícil que seja.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
O "BEM SUCEDIDO"
Ontem me perguntaram qual era a minha concepção de "bem sucedido", eu disse de impulso que era "a quebra do capitalismo, viver do mais necessário possível, reforma agrária, acabar com a desigualdade social" e a mesma pessoa me perguntou "e vai viver de que?" e eu respondi "daquilo que a terra dá" e ela continuou "mas a terra não está dando mais nada". Para não prolongar a discussão, eu parei por aqui. Mas é claro que minha cabeça não parou de pensar. Ora, se a terra não dá mais nada, como que eu consegui me alimentar durante 24 anos e ainda assim sobrevivi? Mesmo que fosse criado em laboratório, não há nada que esteja no laboratório que antes não tenha passado pela natureza, ou seja, pela terra. Bom, diante dos fatos eu fiquei me questionando o que seria o tal "bem sucedido". É claro que dei uma resposta não muito concreta, mas penso que o ideal de sucesso esteja atrelado a felicidade. Não tem como falar de um sem falar do outro. Acontece é que os seres humanos (bípedes com encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor...rs)inseridos no sistema vigente, acreditam e querem que os outros acreditem que a felicidade e o sucesso está diretamente relacionado ao acúmulo de capital, ou seja, ter muito dinheiro! Ontem tentaram me convencer disso, tentaram me vender uma proposta de felicidade vinculada ao bem estar da saúde. A indústria da saúde junto a indústria farmacêutica não tem dó hein, é o famoso pac man, ou topa tudo por dinheiro. Voltando ao tema, o "bem sucedido" pra mim é aquele que consegue abrir mão dos luxos materiais pra viver uma vida simples, com somente o necessário, se alimentar naturalmente, se exercitar, não visar riqueza material, ter muitos amigos, ler sobre tudo, ter um emprego que vise seu crescimento intelectual... daí, após tudo isso, posso dizer que o crescimento desse bem sucedido visará para uma postura mais esquerdista (como foi minha resposta acima). Essa reflexão não é uma apologia aos estados de direita ou esquerda, mas uma reflexão acerca do que é necessário para você sobreviver bem nesse sistema pac man. Sustentabilidade também é um termo que tem lugar nesse texto. Pessoas costumam vender essa ideia sem falar no "não produzir, não consumir exacerbadamente", não falam do fim do sistema capitalista. Ai ai, santa hipocrisia. Também me sinto hipócrita por ter um ideal de bem sucedido e ainda não consegui chegar lá. Ainda não sou bem sucedida, tenho minha felicidade em ato. Ainda tenho um emprego que visa capital, tenho carro e vivo com meus pais. É um processo gradativo até chegar no meu lugar ao sol e ter uma casinha no pé da cachoeira. Pode ser utopia, mas o que seriam dos sonhos se as utopias não existissem no ideário? Não consigo escrever esse tipo de coisa sem citar a célebre frase do livro Le petit prince "o essencial é invisível aos olhos"... e você aí, querendo acumular capital enquanto tem gente que nunca comeu nem mesmo um ovo frito.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Sobre Cotas: Texto redigido por minha aluna do 3º ano do ensino médio, Vitória Moura Leite
Em se tratando de cotas, os argumentos são geralmente para o lado negativo da coisa. Os alunos de escolas particulares geralmente se sentem injustiçados, boicotados pelo o governo, vendo todo seu esforço durante o ano letivo para passar no vestibular sendo diminuído pela desigualdade no país. Todos sabemos que não é a melhor solução para o problema da educação no país, mas sabemos também que é a "solução mais viável por hora", entretanto, ainda todos também sabem que o país faz muita vista grossa para esse problema e, por isso, a hora adequada para acabar com essas restrições para o ingresso no ensino superior, ao que indica a vontade tanto do governo quanto da população, nunca chegará.
Mas de todas as reclamações que li sobre, uma me deixou particularmente intrigada. Muitas pessoas afirmam que, com as cotas (leia-se cotas para escola pública, não estou falando das raciais) há um preconceito quanto a medição da capacidade dos alunos, ou seja, eles evidenciam com isso o fato de que alunos de escolas públicas e escolas particulares têm capacidades diferentes, e ficam indignados, acham o fim do mundo. No entanto, o conhecimento, especialmente o "voltado para o vestibular", é adquirido por meio de estímulos (e por estímulos entenda-se uma escola na qual professores estejam presentes e ensinando à medida que o ambiente proporcione boa convivência) e os estímulos não são os mesmos nas duas instituições, não por culpa de professores (claro que há casos e casos), mas pelo fato de que todas as mazelas sociais do Brasil se evidenciam num lugar em que a diversidade humana se torna limpa e sem maquiagens. A discrepância abrange questões como a carga horária, e até o fato de que, muitas vezes, professores formados em uma disciplina ministram outra!
Hoje mesmo discutimos uma coisa parecida na aula de matemática, sobre como esse ensino voltado para o vestibular tira a importância do real conhecimento, você aprende um massete matemático para otimizar seu cálculo, você não resolve o exercício analisando a situação, você o resolve porque viu em um exemplo que uma forma x é mais rápida que a forma y, decora aquilo e passa no vestibular. Isso significa que você é mais capacitado que qualquer outra pessoa? Não! Todos temos as mesmas capacidades, o modo como elas são desenvolvidas é que difere. E é por isso que existem essas cotas para alunos das escolas públicas, eles não tem as mesmas oportunidades que nós, especialmente nós onze, que temos 6 aulas de matemática por semana, 7 de língua portuguesa, dentre outras...
Acredito que não deveríamos nos revoltar de tal forma contra as cotas, há outros argumentos que as desmascaram de forma muito mais embasada. Sabemos muito bem porque elas existem e sabemos que elas não deveriam existir, isso nos basta. Reclamar não cabe a nós. Fomos de alguma maneira privilegiados. É dever do governo prover uma educação assim como a nossa para todos, mas por motivos que todos também sabemos, isso acontece. Não é nossa tarefa julgar os alunos de escolas públicas de menos capacitados, ou jogar no governo esse preconceito talvez existente por parte de alguns contra eles.
Sempre pensei que as cotas no Brasil deveriam ser estabelecidas de tal maneira, e concordo com 50% para cada lado.
O nível do ensino superior não cai por isso, pelo contrário, serve até como estímulo. É preciso que todos se lembrem que a questão aqui não é capacidade e sim OPORTUNIDADE.
Desabafo de alguém que ficou profundamente pensativa após ter lido tantas pessoas dizerem que as cotas medem capacidade... Ainda assim o outro texto tinha ficado melhor :( Enfim, é isso... Essa é uma questão legal de debatermos :)
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Um brinde à covardia
Maria era jovem, diferente, gostava de observar mapas, de leituras non sense e ficar sozinha. João era turrão, inteligente, gostava de ver filmes japonês. Duas pessoas muito diferentes, o que os uniu foi o gosto musical. Numa noite qualquer em um lugar qualquer eles se entreolharam e viram que havia algo de diferente. João quis comprar Maria. Deu-lhe presentes e conversa boa. Maria sentiu-se importante. João queria mais, Maria não sabia o que queria. Certa vez João convidou Maria para ir em sua casa. Maria foi, como quem não quer nada. João disse com todas as letras que queria entrar em Maria e ela, sem muito dizer, na verdade queria o mesmo. Na manhã seguinte João acordou estranho. Colocou Maria dentro de um carro e a levou para longe. Maria ficou sem entender, estava angustiada. João a deixou perto de pessoas conhecidas, disse que ela estaria segura e poderia ficar despreocupado. Maria ainda estava sem entender, com o gosto estranho da nostalgia de ontem. Tempo se passou e João nunca mais quis Maria. Ele simplesmente sumiu. Maria ficou ali, confusa e com medo. Maria tentou fazer algo por ela, não quis mais procurar João, ela pensava que tudo tinha sido um sonho, ou coisas da sua imaginação. Ela não conseguia acreditar que João se interessara por ela. Maria sempre teve complexos e sua baixo estima sempre me incomodou. Apesar de tudo, até que era uma boa pessoa. João? Nunca mais deu notícias, as vezes eu realmente penso que Maria criou toda essa história, mas não. João abandonou mesmo Maria sem avisá-la e sem motivos que ela possa compreender. Maria, por sua vez, fez uma promessa a si mesma: prometeu nunca mais se envolver com qualquer João que tivesse bom gosto, boa conversa e presentes. Maria queria ser autossuficiente. Ainda não sei se ela conseguiu. Mas por que Maria fez isso? Por que ela queria se afastar de todos por uma única experiência? Ora, Maria é covarde! Ela tem MEDO. Isso mesmo, M-E-D-O. Mas medo de que? Medo de sofrer? Viver é sofrer, Maria, aprenda isso. Mas Maria é intensa, não gosta de "só uma noite". Ela renunciou a liberdade, renunciou as boas conversas, renunciou o "carpe diem", ela quis renunciar sua vida! Pára, Maria, que coisa chata! Eu não a entendo. Maria vive sem querer viver e age muitas vezes por impulso de sua consciência (ou seria de seu subconsciente?). Não sei. Mas Maria precisa dar um jeito em sua vida e não depositar todas suas esperanças em atitudes alheias. Ela precisa perder as chaves.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Gotas: não quero que entrem no meu copo.
Quando se é de uma classe menos favorecida, é difícil sobreviver na sociedade sem a cobrança alheia e a autocobrança de que se tem que trabalhar muito para ganhar dinheiro, isso seria um caminho para a "felicidade". Quando se pensa contra esse fato, daí você sofre as consequências. Você tem que ganhar dinheiro honestamente, não importa como, não importa se você gosta do seu emprego ou não, mas você tem que ganhar dinheiro. Está feliz? Não importa, você ganha quase 1.500 reais, quem na sua idade ganha isso? Você é nova, acabou de sair da faculdade, ganha bem, então você necessariamente tem que ser e estar feliz com sua situação. Daí que você se sente forçada a trabalhar, porque pra ser feliz precisa de muito dinheiro. Então você obedece tudo, se envolve com coisas e em situações que NUNCA quis, mas, NÃO IMPORTA, você tem um salário pra sobreviver na sociedade selvagem que te cobra coisas das quais você não se importa no momento. Você não tem opção. Pessoas falam "não se sinta obrigada", "se quiser sair, saia, mas pensa bem porque o SALÁRIO É MUITO BOM"... mas e a minha felicidade em ato a qual busquei? Pra que me formei? Pra ganhar dinheiro? Não, se eu quisesse ganhar dinheiro eu montaria um motel ou uma igreja, com certeza o lucro é bem maior do que dar aulas. Óbvio que quero ganhar bem, aliás, o suficiente pra eu sobreviver, mas quero fazer isso sorrindo e não sofrendo gastando minha saúde em prol de coisas as quais não gosto e nunca quis. Depois ficarei velha e vou olhar pra trás e ver o tempo que perdi fazendo coisas para ganhar dinheiro. Não, não quero que essa gota caia no meu copo. Quero abandonar o barco, mas eu preciso de dinheiro :(
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Títulos: pra que?
Eis os dilemas da vida. Assim que o grande ditador do mundo ocidental disse que você tem que concluir a escola, ele diz que você tem que fazer uma faculdade, trabalhar, ficar rico, casar, ter filhos, ficar aposentado, viajar, cuidar dos netos e morrer.
Ok. Mas algumas pessoas escolhem fazer faculdade, pós-graduação lato sensu, mestrado, doutorado, pós doutorado, livre docência e depois morrer.
Já outras pessoas escolhem juntar a opção A com a opção B e depois morrer.
Tá, eis a questão: eu não sei qual escolher e não sei porque estou tão preocupada com isso. Só sei de uma coisa: não estou fazendo o que eu queria fazer. Ou melhor: não sei o que quero fazer, só sei que o que estou fazendo agora não é o que eu queria fazer. Entende? É complicado.
Eu me cobro muito, sei disso, quero ver todo mundo bem e feliz. Minha família me preocupa, meus amigos me preocupam, tenho zelo por todos, mas e eu? Quem vai cuidar de mim? Eu deveria cuidar de mim. Eu deveria amadurecer e saber o que eu vou fazer com o que fizeram de mim. Mas eu não sei!
Quero aproveitar tudo, fazer tudo que posso enquanto ainda tenho poucas responsabilidades e ninguém depende de mim. Mas como? O que seria aproveitar esse tudo? Fazer mestrado? Fazer outra graduação? Mudar de país? Fugir e morar no meio do mato pra viver na natureza selvagem? EU NÃO SEI!
Atualmente estou passando por uma crise: decidi prestar mestrado. Ok. Mas, pra que? Pra obtenção de mais um título? Pra que? Pra dar aulas em faculdades... mas pra que, sendo que eu estou adorando dar aulas pra adolescentes? Então a obtenção de títulos seria algo pra massagear meu ego e dizer aos outros: "oi, eu sou mestre, mereço mais respeito porque tenho mais títulos." PRA QUE TUDO ISSO GENTE?
Daí que fiz um projeto, ficou legal, porém pragmático demais e a filosofia é teórica demais. PRA QUE MAIS TEORIAS? PRA QUE? Pra que vou confrontar teorias, fazer uma monografia puramente teórica que somente servirá ao entendimento da comunidade acadêmica? Por que não posso fazer algo prático aplicável na sociedade, algo que acrescente na minha vida e na vida da comunidade?
Filosofia, por que me decepcionas neste momento? Até tu me abandonaste!
Quer saber? Pra eu fazer algo prático que sirva para os demais e não somente a uma determinada classe, eu não preciso de títulos! Eu preciso de projetos e ação!
É então que alguém grita em meus ouvidos: ALINE, VÁ EM FRENTE, PELO AMOR DE DEUS!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Para os meus netos, sobre amigos

Antes de vocês dormirem, deixe-me contar uma história, resumidamente.
Há algum tempo atrás a vovó fez faculdade de filosofia no interior do Paraná, numa cidade chamada Jacarezinho, é bem longe e fica no Brasil.
Fui pra lá aos 19 anos de idade. Era uma mulequinha, nunca tinha saído de casa, muito menos para morar em um lugar onde eu só conheci no dia da prova do vestibular. Naquela época as pessoas eram selecionadas para ingressarem na universidade por meio de uma prova chamada vestibular, que por sinal era bem difícil, mas aquela especificadamente estava fácil... não tão fácil, mas estava bem mais legal de fazer do que as outras que eu já tinha feito.
Passei em 4º lugar para meu espanto e o espanto de todos, pois ninguém botava muita fé em mim, nem eu mesma... hahaha... é engraçado, meus queridos, eu sei, mas é a realidade... a vovó aqui já foi muito insegura.
O ponto em que eu quero chegar com vocês nem é tanto a faculdade nem mesmo o ato de ser insegura e morar sozinha, o fato é que onde quer que você vá talvez você não tenha tanta sorte que eu tive de encontrar amigos, mas não são qualquer amigos, eu estou dizendo dos melhores amigos que uma pessoa pode ter. Na minha terra natal sempre tive muitos amigos, sempre gostei demais de todos eles, mas achava que seria incapaz de fazer novas amizades duradouras, mas eu estava enganada.
Essa história é sobre amigos.
Eu fui uma pessoa muito feliz em 4 anos que fiz filosofia. É claro que chorava muito, sentia saudades da minha família, mas eu SEMPRE tive amigos por perto. Amigos pra chorar, conversar, desabafar, abraçar... enfim... amigos.
Contando essa história pra vocês, me passa um filme na cabeça de como fui feliz com aqueles amigos, aquelas almas boas que cruzaram a minha vida e a fizeram melhor. Impossível citar todos os nomes... pois foram muitos, mas muuuitos amigos... de todas as idades, religiões, cores e manias... eu tive uma família constituída de muita amizade, meus netos, isso eu posso dizer com todo amor que me cabe. Meus amigos simplesmente foram os melhores!
Ah, vocês dormiram. Danadinhos... amanhã conto mais... vou contar uma piada que eu contava na minha época de menina moça... a piada do bolinho :)
Boa noite, meus queridos.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Existencialismo no Aquário

Viagem com a família e em um desses dias por volta do final de 2011 e começo de 2012 eu fui parar no aquário de Santos.
Nunca tinha ido em algum aquário (mas é claro que já tinha visto animais em aquários), fui certa vez quando criança em um zoológico, mas dessa vez tudo soou de maneira estranha.
Ao chegar no aquário, aquela fila quilométrica. Muitas crianças, inclusive uma delas me acompanhava. Gritos, choros, espera, espera, sol, mais espera.
Entramos. Muvuca. Peixes, muitos deles, tubarões, tartarugas, animais. "Olha mãe", "aaahhhh (grito), uma tartaruga".
E os animais? Por mais acostumados que eles estejam, vi alguns assustados.
Crianças batendo nos vidros, gritando, querendo que o bicho fizesse alguma piruleta pra que pudessem bater uma foto.
E eu? Eu paguei pra ver animais sendo torturados por fleshs de máquinas fotográficas. Eu sei que os biólogos tratam muito bem desses animais e eles estão acostumados com isso, mas a questão aqui não é essa.
A questão aqui é a minha imaginação e a minha náusea.
Naquele lugar eu tive uma visão. Vi alguns extra-terrestres abdusindo alguns seres humanos. Chegando em Marte eles pegaram esses serem humanos, deram ração para eles, colocaram-os em jaulas e depois ficaram batendo nas jaulas, tirando fotos, gritando estéricamente para que os humanos fizessem alguma travessura para que eles pudessem filmar e mostrar para outros ETs como é legal pagar para ver humanos em jaulas.
- "Até quando isso será considerado diversão?", disse um ET existencialista, e os outros responderam "até quando houver ETs pagando para ver humanos em jaulas".
FIM
domingo, 13 de novembro de 2011
Ei, SWU, vaitománocu!
Esse artigo ia pro meu TCC, mas acabei tirando porque não encaixava direito, então aqui está ele. Have fun!

Sustentabilidade : uma promessa, uma consequencia ou um fato ?
No dia 23 de julho do ano de 2011, a equipe de um programa denominado de CPFL Cultura juntamente a equipe Seminário Fronteiras do Pensamento (ambos programas exibidos pela internet), entrevistaram o filósofo em questão nessa discussão, o polonês Zygmunt Bauman. No decorrer da entrevista, Bauman afirma que por mais que haja certa individualidade considerável, vive-se numa Era onde todos dependem de todos, e isso hoje é mais do que nunca. Todos estão no mesmo barco, logo, o que ocorre de um lado do barco, é refletido consequentemente ao outro lado, então todas as pessoas que estão nesse barco sentirão seus reflexos, estando perto ou não do ocorrido. E então, Bauman diz que, pela primeira vez, o planeta é de fato um só mundo.
Outra transformação que veio a se consolidar no mundo decorrente da modernidade líquida, Bauman afirma que é o pensamento de que o homem é submetido ás leis naturais ou tecnológicas, ele acredita que o ser humano está cada vez mais próximo dos limites da sustentabilidade do planeta.
Sustentabilidade é a promessa líquida. Há inúmeros discursos, comerciais de TV, pensadores discutem sobre o tema, mas o que se pode fazer de imediato ? Há alguns programas atualmente que promovem eventos para discutir o tema da sustentabilidade.
No Brasil já a alguns anos, acontece um evento denominado de SWU (Starts With You – Começa Com Você), a proposta do evento é discutir sustentabilidade e isso começa com um discurso de que todos devem fazer pequenas coisas para constituir um mundo melhor, mais feliz e sustentável.
Para este evento em questão, o proposto é cada um fazer o que está ao seu alcance, tendo a consiência de que dessa forma ajudará a ter um mundo melhor para teus futuros descendentes.
"Experimente pesquisar o conceito de sustentabilidade em qualquer lugar e encontrará definições que falarão sobre: “pensamento sistêmico”, “equilíbrio dos ecossistemas”, “Relatório Brundtland”, hã? Calma. Vamos entender isso de maneira mais prática? A ideia central da sustentabilidade é que é possível continuarmos vivendo e nos desenvolvendo de forma com que haja continuidade e equilíbrio em relação aos recursos disponíveis. Tudo o que se retira – se apenas retiramos – uma hora vai acabar. Assim, devemos oferecer ao planeta tanto quanto retiramos dele. O mencionado “Relatório Brundtland”, publicado em 1987, diz que sustentabilidade é “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Esta é a ideia! Trazendo a discussão para o nosso quintal, se eu posso derrubar uma árvore porque quero construir minha casinha ali, posso também plantar outras duas para que meus netos tenham, anos depois, fruta e sombra num dia de sol. Outra ideia de uma vida sustentável é estabelecer uma relação economicamente viável com o mundo. Trabalhar e buscar parcerias com quem está perto da gente é melhor, pois, além de fomentar o desenvolvimento daquela região, favorece o equilíbrio de todo o meio ambiente à sua volta. Entenda que é possível cada um de nós trazer para dentro de sua vida, de sua rotina, de sua casa, as suas próprias ações sustentáveis, que podem ter uma importância muito maior do que a se imagina! Limpar o oceano das manchas de óleo que os navios cargueiros despejam parece uma tarefa impossível, não é mesmo? Mas, separar o lixo, apagar as luzes na hora de dormir e não desperdiçar a água que utilizamos está, sim, ao seu alcance. E, acredite: é exatamente a força dessa conscientização e dessa união que poderá, um dia, deixar limpos e cristalinos todos os oceanos do planeta." (informações do site)
A crítica a esse evento possui dois vetores: primeiro é a idéia de adquirir certa consciência à questão da sustentabilidade, há conferências sobre o tema e discussões sobre o que se pode fazer , isso seria um ponto positivo; o segundo vetor, que seria um ponto negativo, é que esse evento promove shows nacionais e internacionais , muitos participantes não vão a esse evento com o intuito de aquisição a uma consciência sobre o assunto, vão para se divertir nos shows e isso trás certas conseqüências, como uma das mais preocupantes – a produção de lixo. Para onde vai todo lixo produzido pelos participantes do SWU?
Promover eventos, discutir o tema, buscar se conscientizar são tarefas acessíveis para o momento, mas além de tudo isso, é importante frisar que a questão da degradação do planeta é ainda maior, as tentativas são válidas, mas mais que tentar, o importante é não somente maquiar essa questão e sim procurar transformá-la.

Sustentabilidade : uma promessa, uma consequencia ou um fato ?
No dia 23 de julho do ano de 2011, a equipe de um programa denominado de CPFL Cultura juntamente a equipe Seminário Fronteiras do Pensamento (ambos programas exibidos pela internet), entrevistaram o filósofo em questão nessa discussão, o polonês Zygmunt Bauman. No decorrer da entrevista, Bauman afirma que por mais que haja certa individualidade considerável, vive-se numa Era onde todos dependem de todos, e isso hoje é mais do que nunca. Todos estão no mesmo barco, logo, o que ocorre de um lado do barco, é refletido consequentemente ao outro lado, então todas as pessoas que estão nesse barco sentirão seus reflexos, estando perto ou não do ocorrido. E então, Bauman diz que, pela primeira vez, o planeta é de fato um só mundo.
Outra transformação que veio a se consolidar no mundo decorrente da modernidade líquida, Bauman afirma que é o pensamento de que o homem é submetido ás leis naturais ou tecnológicas, ele acredita que o ser humano está cada vez mais próximo dos limites da sustentabilidade do planeta.
Sustentabilidade é a promessa líquida. Há inúmeros discursos, comerciais de TV, pensadores discutem sobre o tema, mas o que se pode fazer de imediato ? Há alguns programas atualmente que promovem eventos para discutir o tema da sustentabilidade.
No Brasil já a alguns anos, acontece um evento denominado de SWU (Starts With You – Começa Com Você), a proposta do evento é discutir sustentabilidade e isso começa com um discurso de que todos devem fazer pequenas coisas para constituir um mundo melhor, mais feliz e sustentável.
Para este evento em questão, o proposto é cada um fazer o que está ao seu alcance, tendo a consiência de que dessa forma ajudará a ter um mundo melhor para teus futuros descendentes.
"Experimente pesquisar o conceito de sustentabilidade em qualquer lugar e encontrará definições que falarão sobre: “pensamento sistêmico”, “equilíbrio dos ecossistemas”, “Relatório Brundtland”, hã? Calma. Vamos entender isso de maneira mais prática? A ideia central da sustentabilidade é que é possível continuarmos vivendo e nos desenvolvendo de forma com que haja continuidade e equilíbrio em relação aos recursos disponíveis. Tudo o que se retira – se apenas retiramos – uma hora vai acabar. Assim, devemos oferecer ao planeta tanto quanto retiramos dele. O mencionado “Relatório Brundtland”, publicado em 1987, diz que sustentabilidade é “suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas”. Esta é a ideia! Trazendo a discussão para o nosso quintal, se eu posso derrubar uma árvore porque quero construir minha casinha ali, posso também plantar outras duas para que meus netos tenham, anos depois, fruta e sombra num dia de sol. Outra ideia de uma vida sustentável é estabelecer uma relação economicamente viável com o mundo. Trabalhar e buscar parcerias com quem está perto da gente é melhor, pois, além de fomentar o desenvolvimento daquela região, favorece o equilíbrio de todo o meio ambiente à sua volta. Entenda que é possível cada um de nós trazer para dentro de sua vida, de sua rotina, de sua casa, as suas próprias ações sustentáveis, que podem ter uma importância muito maior do que a se imagina! Limpar o oceano das manchas de óleo que os navios cargueiros despejam parece uma tarefa impossível, não é mesmo? Mas, separar o lixo, apagar as luzes na hora de dormir e não desperdiçar a água que utilizamos está, sim, ao seu alcance. E, acredite: é exatamente a força dessa conscientização e dessa união que poderá, um dia, deixar limpos e cristalinos todos os oceanos do planeta." (informações do site)
A crítica a esse evento possui dois vetores: primeiro é a idéia de adquirir certa consciência à questão da sustentabilidade, há conferências sobre o tema e discussões sobre o que se pode fazer , isso seria um ponto positivo; o segundo vetor, que seria um ponto negativo, é que esse evento promove shows nacionais e internacionais , muitos participantes não vão a esse evento com o intuito de aquisição a uma consciência sobre o assunto, vão para se divertir nos shows e isso trás certas conseqüências, como uma das mais preocupantes – a produção de lixo. Para onde vai todo lixo produzido pelos participantes do SWU?
Promover eventos, discutir o tema, buscar se conscientizar são tarefas acessíveis para o momento, mas além de tudo isso, é importante frisar que a questão da degradação do planeta é ainda maior, as tentativas são válidas, mas mais que tentar, o importante é não somente maquiar essa questão e sim procurar transformá-la.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Subjetivamente inquientante

Paz, eu quero paz.
Quero sentir a água batendo no meu rosto
Quero cantar "pais e filhos" bem alto com meus amigos
Quero comer macarronada de domingo com a minha família
Sentir o coração palpitar ao ver aquela pessoa
Ter filhos e ficar noites acordada pra cuidar deles
Chorar de ver um filme bonito
Chorar toda vez quando ouvir "eu não sei na verdade quem eu sou"
Quero fazer danças estranhas na webcam pra alegrar amigos que estão longe
Colocar nariz de palhaço e brincar com a criançada
Receber meu pagamento e fazer aquela viagem inesperada
Conhecer pessoas engraçadas
Rever aqueles velhos amigos
Jogar video-game num sábado a noite na companhia de boas amizades
Dar um beijo de boa noite nos meus pais
Passear com o cachorro
Caminhar com meu pai
Comer o bolo de fubá com erva-doce e canela da minha vó
Rir com as histórias de ET's do meu avô
Ver fotos antigas com a minha mãe
Quero ter tempo pra ler sobre filosofia, artes, plantas, espíritos e afins
Quero estudar tudo que eu puder
Sair correndo na chuva e escorregar na lama
Jogar conversa fora numa madrugada de insônia
Tomar um copo de água gelada debaixo de uma árvore num dia típico de verão
Me cobrir com um cobertor e me jogar no sofá pra tomar um chá no inverno
Sorrir para as crianças
Conversar com o cachorro, com as plantas e até mesmo com os doces
Enfim... eu quero paz e quero viver.
Se isso tudo não é felicidade, então eu não sei o que é.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Você ama alguém?

"Há inúmeras definições para o sentimento 'amor' ou para o verbo 'amar', são conceitos subjetivos que, no entanto, o senso comum tenta explicar. Para iniciar essa discussão sobre o 'amor líquido', usar-se-á aqui as definições destinadas ao senso comum: ter carinho por alguém, compaixão, paixão, consideração, amizade, entre outros sentimentos, seja esses sentimentos destinado ao próximo, à algum parceiro ou parceira ou então ao amor-próprio. Só o que se sabe é que amar é uma capacidade do ser humano e que esse sentimento vem sofrendo modificações com o decorrer das eras." (trecho extraído do 1º capítulo do meu TCC)
E por que esse sentimento tráz tanto sofrimento? Sentir carinho por alguém é muito bom, mas como dói quando não é recíproco. Fazer um agrado é tão gratificante, mas como machuca quando o outro é indiferente.
O senso comum tenta nos impor, aliás, há certa consciência coletiva de que todas as pessoas do mundo devem se relacionar amorosamente para obter certo grau de felicidade. Ok, eu concordo, não tem como viver só numa sociedade repleta de universos, porém, será que Freud estava certo?
Freud dizia que esses sentimentos, citados acima, são necessidades puramente fisiológicas do seres humanos, ou seja, ter a necessidade de sentir amor, por exemplo, é o mesmo que sentir muita vontade de comer. Hummm, desculpa Freud, mas eu sou obrigada a discordar.
Pode até ser uma necessidade humana, mas não penso que seja puramente fisiológica. Penso que o amor é como a mente, sabemos que existe, porém não conseguimos manuseá-la, se abrimos o peito e pegarmos o coração na mão, não encontraremos o amor nele. Então pode ser fisiológico? Penso que não. Então o que é? De onde vem esses sentimentos que quando correspondido nos causa certa felicidade imensa e quando não é recíproco nos causa aquela dor no peito e aquela vontade de morrer?
Já não é fácil lidar com coisas materiais que são absolutamente palpáveis, mas como lidar com sentimentos abstratos? Existe uma receita, um remédio ou algum manual de instrução?
E ainda tentaram me convencer que a subjetividade não existe... prove, ciência, prove! Vai vai, diz aí oh dona dos paradigmas vigentes! Causadora da morte individual, me coloca dentro de uma caixa e diz que todo sentimento que tenho são apenas necessidades humanas.... EU DUVIDO de você, ciência!
Quem foge desses sentimentos são covardes, aqueles que têm medo de sofrer e sofrem por isso. E eu, o que faço com esses números?
A MEDIDA DE AMAR É AMAR SEM MEDIDA (Santo Agostinho)
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Teorias e blá blá blá

Não façam filosofia
Ou qualquer coisa que te faça pensar.
Não pense, seja feliz!
Se fosse tão fácil assim,
O que seria de mim?
Falar é fácil
o difícil é ser ágil
Muitos ja tentaram
Mas poucos hesitaram.
Platão, Heráclito, Sócrates
Sartre, Heidegger, Aristóteles
Galileu, Copérnico, Sófocles
Newton, Adorno e John 'muito' Locke.
Aqueles que agiram
meus sinceros comprimentos
Aqueles que apenas teorizaram
Meus pêsames sem defeitos.
Para quem ainda sonha
Parabéns, pois é preciso
Freire deu certa luz
Mas sozinha eu não consigo.
Quem tem vontade
Venha com nós
Mas não vá só até metade
Ergua a voz
Abrace as teorias
Faça acontecer
Sonhe com metodologias
Não dê ouvidos à desistências
Corra forte e sem demência.
PENSE
RESISTA
CAMINHE
SONHE... SONHE... SONHE...
Ai de mim, UTOPIA! Ai de mim.
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