quinta-feira, 30 de julho de 2015

O tempo passa, mas o all star continua o mesmo

Todos os dias ela acordava. Sem perspectiva de vida. Fazendo tudo automaticamente. Com exceção do amor. Esse continuava sempre latente. Acordar, abrir os olhos, ganhar um beijo de bom dia. Isso fazia com que ela não desistisse. Continuou caminhando. Reclamando. Sempre reclamou muito. Reclamava o tempo todo, sem perceber. A esperança de não deixar um mundo ruim para seus filhos a fazia caminhar em busca de algo melhor. Não era uma vida ruim, mas a angústia e a enxaqueca batia forte todos os dias. "Podia ser pior", ela pensava. Mas nem por isso se conformou. Bateu de porta em porta buscando algo que a contemplasse. "Gostaria mesmo de não fazer da minha existência, algo despercebido", dizia para si mesma. De repente recebeu um e-mail, uma proposta, algo que ela queria muito e nem mesmo sabia. Foi. De cabeça erguida ela foi. Tinha aproximadamente 10 pessoas querendo o mesmo que ela. Desanimou. Mas não abaixou a cabeça, apesar da insegurança. Continuou. Sorriu. Quase chorou as vezes. Mas foi. A cada ligação de aprovação, ela sofria. Sofria por imaginar que podia não conseguir. Não dormia. Pensava o quanto tudo podia mudar se houvesse um "sim". Que além de mudar sua vida, ajudaria outras pessoas. Que tudo seria reciprocidade. Que o que sempre acreditou poderia acontecer. Mas para isso ela só precisava de um "sim". O "sim" veio na terceira tentativa. Aquela que seria mais provável ser um "não", virou um "sim". Um dos "sim" mais feliz que já ouviu, pelo telefone, vindo de um sotaque simpático. E então, tudo mudou. A esperança floresceu. A vida começou a seguir mais feliz. Acordando todos os dias sem se importar de pegar ônibus lotado. Sabendo que todo esforço não seria mais em vão. Que vai poder falar para seus filhos que fez algo de bom no mundo e que fizeram muito por ela. A enxaqueca não vem mais com tanta frequência. Hoje ela finalmente pode dizer que gosta do que faz, apesar de várias tentativas, finalmente hoje ela pode afirmar "Gosto do que faço. Acordo feliz por saber que vou continuar fazendo o que gosto". Pode ser sorte, pode ser merecimento. Não importa mais. O importante é saber que a cada dia de sua vida não será em vão. E hoje ela continua caminhando com seu all star laranja, velho, sujo, fedido. Caminha feliz por manter a esperança viva. O tempo passou. Passou bastante. Mas agora ela reclama bem menos. Reclama uma vez aqui ou ali por coisinhas bobas. A vida segue. Mas dessa vez segue feliz!

Um comentário:

Faris Avaré disse...

Adorei seu texto, percebo que voce tem uma grande facilidade em fazer essas narrativas e retratar muito bem os acontecimentos. Que bom que temos um final feliz.
Parabéns.
Bjs